Futebol sem respirador

Saudade de um futebol, aglomeração e churrasco, né, meu filho? O futebol faz parte da identidade cultural da nação brasileira. É o ópio do povo. Está enraizado e está na pauta de conversas no dia a dia. Ninguém é capaz de negar essa lógica que movimenta cifras altas, conta com grande transmissão dos meios de comunicação e altos índices de audiência.


Em 2020, porém vivemos uma pausa forçada no esporte em razão do novo coronavírus, o COVID-19. As Olimpíadas foram adiadas, a Liga dos Campeões e a Liga Europa foram paralisadas, assim como os principais campeonatos europeus de futebol. O esporte mundial parou por meses. Os campeonatos de Futebol 7 também foram interrompidos em março. O esporte de alto rendimento mundial não foi insensato em dar um tempo por conta de uma doença nova e sem tratamento imediato reconhecido ou vacina.


Foto: GettyImages
O futebol brasileiro não precisa de respirador, mas de consciência e paciência!

Após dois meses de pandemia, o futebol alemão, reconhecido como rigoroso em suas condutas desportivas e por sua história de guerras, foi o encarregado de reviver o desejo mundial de assistir a um jogo de futebol de alto nível. A retomada em 16 de maio de 2020 seguiu uma série de rigorosos protocolos. Os jogadores não puderam dar um abraço na comemoração de gols ou apertar as mãos de qualquer pessoa dentro ou fora do campo, e os atletas nos bancos de reservas ficaram distantes uns dos outros a uma distância superior a 2 metros e com uso da máscara. Em campo, os atletas não podem cuspir no chão. Além disso, todos os atletas e comissão técnica e árbitros são rigorosamente testados durante a semana e antes das rodadas. E, claro, o futebol é disputado sem torcida. Uma mudança radical e necessária.


Deu tudo certo. O futebol na Espanha e Inglaterra também voltou em junho. Devemos destacar que ambos seguiram protocolos claros a exemplo da Alemanha. Os campeonatos Espanhol e Inglês foram retomados após os países adotarem lockdown, ou seja, restrição total de circulação por 1 a 2 meses. A sociedade foi consciente e obedeceu aos seus governos. Logo, os números de mortos e contaminados menores permitiram o retorno das atividades.


Aqui no Brasil foi o contrário. Sem lockdown ou isolamento social rigoroso, em 18 de junho, mesmo com a contrariedade de Botafogo e Fluminense, aconteceu o retorno do Campeonato Carioca. O jogo entre Flamengo e Bangu pela fase de grupos marcou a relargada do campeonato estadual do Rio de Janeiro. Ao lado do Maracanã, um hospital de campanha está montado com pacientes internados para o tratamento da COVID-19, e os demais hospitais cheios de pessoas em UTIs e enfermarias na capital


Não podemos esquecer que o Brasil ainda vive uma grave crise provocada peça doença com a marca de mais de um mil mortos diários. O retorno do futebol é desconexo da realidade social. As críticas foram contundentes aos clubes cariocas, Federação Carioca de Futebol e ao prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que liberou o retorno do futebol, mediante decreto com instruções para a reabertura gradual da economia do município em meio à pandemia. Outros estados, posteriormente, retornaram com as disputas dos campeonatos regionais. O Catarinense foi um anticase, pois o governo estadual precisou retroceder após constatação de casos positivos de COVID-19 em atletas da Chapecoense.


Para algumas pessoas os dados de contaminados e mortos pela COVID-19 são apenas números. Esquecem que são histórias de vidas e famílias que perdem entes queridos. São quase 100 mil mortos no Brasil. Vidas perdidas. Histórias interrompidas no país. A doença não escolhe classe social, raça, gênero ou idade, por exemplo. Alguns ainda negam a doença. A preservação da vida, algo instintivo da raça humana, passa a ser algo vulgar.


Desatentos aos problemas, muitos cidadãos continuaram a sua rotina como se a vida estivesse ao normal. Levam para casa a doença, por descuido, contaminando familiares, amigos e colegas de trabalho. Não se dão conta de que apesar de 80% dos casos serem assintomáticos, ou seja, sem sintomas, e outros com quadros leves, cerca de 20% terão problemas moderados a graves. Precisarão de leitos de UTI e enfermarias que ficam tomadas por pacientes, muitos em situação crítica. O problema não é abrir novos leitos, mas a demanda por equipamentos específicos e contratação da equipe médica especializada, diante do agravamento da epidemia nas cidades brasileiras. Nenhum sistema de saúde mundial está pronto para dar conta de muitos internamentos em pouco tempo, por isso o famoso pedido pelas regras de distanciamento e isolamento social de grupos de risco. O correto uso de máscaras desde quando sair de casa até a chegada.


Podemos pontuar uma série de explicações para o estágio crítico da doença. Os problemas graves de saneamento público, conhecidos por décadas, a falta de comunicação assertiva com o cidadão, apesar das inúmeras tentativas da mídia brasileira e dos governos em expor o risco de uma doença nova, o negacionismo da doença por conflito ideológico político, e a própria incompreensão das pessoas por falta de informação, excesso de fake news ou dos riscos da doença. Fomos tomados pela falta de empatia, o egoísmo e alguns até mesmo cometem o crime de responsabilidade de saúde pública.


A perda mais sentida no meio esportivo foi a de Rodrigo Rodrigues, que começou sua carreira na década de 90 e atualmente apresentava o Troca de Passes nos canais SporTV. Um profissional que carregava uma simpatia e conseguia unir amigos e colegas de diferentes emissoras, de ESPN, local em que trabalhou, Fox Sport, hoje do mesmo grupo dos canais esportivos da Disney Company, Esporte Interativo e mídias impressa, digital e rádio, assim como de diferentes times de futebol e admiradores de seu trabalho. Ele faleceu aos 45 anos, no último dia 28 de julho, vítima de complicações pelo COVID-19, uma doença traiçoeira que não escolhe perfil de indivíduo.


Vidas de atletas ou familiares de equipes do nosso Futebol 7 curitibano e de região também foram perdidas. Fatos lastimáveis! O cuidado com pessoas idosas, hipertensas, diabéticos, obesidade e problemas cardiovasculares, entre outras comorbidades, deve ser constante.


Queremos a retomada do futebol, sem dúvida, mas com segurança a todas as pessoas. Os problemas financeiros sem precedentes na indústria do futebol são reconhecidos e legítimos. Porém, sem vida sadia, sem economia ativada. O mercado é inovador e capacitado a recuperar os investimentos parados. Os profissionais e praticantes são apaixonados, e seremos capazes de ajudar uns aos outros a se reerguer.


No Futebol 7, daremos um bom exemplo participando dos jogos nas quadras de futebol society. Aos representantes do futebol nacional, na categoria, a necessidade de trabalhar com prudência. Esse retorno precisa ser com protocolos claros nas diferentes modalidades esportivas. Com euforia e sem planejamento, o resultado é crise. Abrir sem os devidos cuidados observados é negligência a decretos municipais e estaduais, revela o egoísmo e pode ser considerado crime contra a saúde pública. O futebol brasileiro não precisa de respirador, mas de consciência e paciência!

Gabriel Bozza

Diretor da Futebol 7 Academy e Subdiretor de Marketing e Comunicação

Gabriel é Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e atua como professor de Jornalismo (UniBrasil Centro Universitário), professor de cursos EaD da graduação em Jornalismo e pós-graduação (Grupo UNINTER) e professor de Publicidade e Propaganda (PUCPR). Possui vasta experiência nos ramos do Jornalismo e da Comunicação, Gestão Esportiva, além de contribuir com inúmeras pesquisas na área por diversas frentes.

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